Evan conversa com a jornalista Jenny Changnon para o site Netflix Queue sobre a nova série da Netflix, Dahmer: Um Canibal Americano.

Ryan Murphy e Ian Brennan, vencedores do Emmy, examinam a hist√≥ria comovente das v√≠timas de Dahmer de √Ęngulos in√©ditos.

Os crimes de Jeffrey Dahmer aterrorizaram e prenderam o mundo ap√≥s sua pris√£o em 1991, e a hist√≥ria do serial killer canibal continua a ser um sombrio fasc√≠nio d√©cadas depois. O que permanece na mem√≥ria cultural s√£o as manchetes sensacionalistas e os detalhes sangrentos, mas as hist√≥rias das v√≠timas de Dahmer e das pessoas que tentaram det√™-lo n√£o foram contadas. DAHMER – Monster: The Jeffrey Dahmer Story, criado por Ryan Murphy e Ian Brennan (as mentes vencedoras do Emmy por tr√°s de American Crime Story e American Horror Story), d√° um passo atr√°s e examina o caso Dahmer de √Ęngulos in√©ditos.

Na miniss√©rie de 10 epis√≥dios, Evan Peters (Mare of Easttown, American Horror Story) se transforma fisicamente em Jeffrey Dahmer, desde os anos do ensino m√©dio do assassino at√© sua morte na pris√£o aos 34 anos. “Eu estava muito assustado com todas as coisas que Dahmer fez, e tentar me comprometer com essa atua√ß√£o, foi absolutamente uma das coisas mais dif√≠ceis que eu j√° tive que fazer em minha vida”. Diz Peters. “√Č t√£o chocante que isso tudo realmente aconteceu. Eu senti que era importante ser respeitoso com as v√≠timas e as fam√≠lias das v√≠timas para tentar contar a hist√≥ria de forma mais aut√™ntica poss√≠vel.”

Em pap√©is coadjuvantes, Richard Jenkins e Molly Ringwald estrelam como o pai de Dahmer, Lionel, e sua madrasta, Shari, e Penelope Ann Miller interpreta sua m√£e ausente, Joyce, enquanto eles seguem na luta para entender seu filho problem√°tico e sua neglig√™ncia em reconhecer seu perigo. “Chama-se The Jeffrey Dahmer Story, mas n√£o √© apenas ele e sua hist√≥ria de vida. S√£o as repercuss√Ķes; √© como a sociedade e nosso sistema falharam em det√™-lo v√°rias vezes por causa do racismo e da homofobia”, acrescenta Peters. “Todo mundo tem seu lado da hist√≥ria contado.”

A miss√£o da s√©rie estava clara desde o in√≠cio. “T√≠nhamos uma regra de Ryan [Murphy] que a s√©rie nunca seria contada do ponto de vista de Dahmer”, continuou Peters. Com epis√≥dios dirigidos por Gregg Araki, Paris Barclay, Carl Franklin, Jennifer Lynch e Clement Virgo, DAHMER examina os assassinatos do serial killer de 17 homens e meninos, principalmente indiv√≠duos de cor, em todo o centro-oeste ao longo de 13 anos. √Ä medida que a s√©rie evolui, explora como o caso foi extremamente mal administrado e como os crimes foram ignorados pela pol√≠cia por mais de uma d√©cada. Murphy consultou Rashad Robinson, presidente da Color of Change, uma organiza√ß√£o sem fins lucrativos de defesa dos direitos civis, para garantir que as hist√≥rias das v√≠timas estivessem na frente e no centro da reda√ß√£o e produ√ß√£o do projeto.

“Minha primeira apresenta√ß√£o a Jeffrey Dahmer e sua hist√≥ria foi ouvir algo no notici√°rio e depois ouvir meus pais falarem”, diz Niecy Nash (When They See Us, Selma), que interpreta a vizinha de Dahmer, Glenda Cleveland, uma figura que √© muitas vezes ausente das recontagens dos assassinatos. “Glenda tamb√©m foi uma de suas v√≠timas. E sua hist√≥ria foi muito pouco contada.‚ÄĚ

Cleveland, que morava no mesmo complexo de apartamentos de Milwaukee que Dahmer, suspeitava de seus crimes desde o in√≠cio, e ela alertou diligentemente o propriet√°rio v√°rias vezes sobre o mau cheiro vindo de seu apartamento. Quando o propriet√°rio n√£o fez nada, porque Dahmer era “um bom inquilino”, ela come√ßou a chamar a pol√≠cia, mas eles se recusaram a levar a s√©rio uma mulher negra e sua fam√≠lia, que mora em um bairro carente.¬† Em um caso, ela chamou a pol√≠cia ao testemunhar Konerak Sinthasomphone, um menino de 14 anos ferido, trope√ßar nu para fora do apartamento de Dahmer e para a rua. Ao chegarem, Dahmer disse aos policiais que o menino era seu amante e eles acabaram de discutir. A pol√≠cia aceitou sua palavra sobre a de Cleveland, que repetidamente implorou para que reavaliassem antes que inevitavelmente ajudassem o menino a voltar para os bra√ßos de Dahmer e ele se tornasse outra v√≠tima.

As a√ß√Ķes de Dahmer afetaram in√ļmeras vidas al√©m das de suas v√≠timas; a s√©rie passa um tempo com suas fam√≠lias em luto, enquanto lutam para processar os assassinatos traum√°ticos. ‚ÄúPesada √© a cabe√ßa que usa a coroa para contar essa hist√≥ria como nunca havia sido feita antes‚ÄĚ, diz Nash. ‚ÄúIsso vem com muita responsabilidade, porque voc√™ quer ter certeza de que est√° certo.‚ÄĚ Essas fam√≠lias e comunidades foram assombradas para sempre pelos atos horr√≠veis e sem sentido de Dahmer e merecem que suas hist√≥rias sejam finalmente introduzidas na narrativa.

“O tema de toda esta pe√ßa √© atemporal‚ÄĚ, acrescenta Nash. ‚ÄúVoc√™ ainda tem comunidades que est√£o sendo mal atendidas, sendo policiadas de maneira errada. Temos pessoas clamando por mudan√ßas e para serem ouvidas pelos poderes constitu√≠dos.‚ÄĚ Mesmo ap√≥s o julgamento de Dahmer, o hero√≠smo de Cleveland √© ofuscado pela falta de a√ß√£o das autoridades. ‚ÄúEla merecia muito mais do que uma plaquinha brega no fundo de um sal√£o social em algum lugar.¬† Ela merecia muito mais do que a pol√≠cia para ficar na frente dela e dizer: ‚ÄėOlha o que fizemos. Veja o que tentamos fazer’‚ÄĚ, diz Nash.

Junto com a hist√≥ria de Clevevand, que historicamente tem sido negligenciada em favor dos aspectos chocantes do caso, DAHMER se concentra nas v√≠timas e suas fam√≠lias trabalhando em seu luto enquanto o julgamento se desenrola. ‚ÄúA hist√≥ria de Jeffrey Dahmer √© muito maior do que apenas ele‚ÄĚ, reflete Peters. Ao se concentrar nas falhas institucionais e na incompet√™ncia que permitiram a Dahmer continuar matando √† vista de todos, DAHMER – Monster: The Jeffrey Dahmer Story conta uma hist√≥ria tragicamente presciente de indiv√≠duos e comunidades lutando para serem ouvidos e as consequ√™ncias mortais quando s√£o ignorados por aqueles no poder.

A minissérie estreia dia 21 de setembro na Netflix.

Em entrevista ao site Vanity Fair, Evan detalha sobre suas maiores cenas na minissérie Mare of Easttown.

A CENA: MARE OF EASTTOWN TEMPORADA UM, EPIS√ďDIO TR√äS

Quase exatamente na metade do caminho de Mare of Easttown, a primeira de v√°rias bolas curvas neste mist√©rio de “quem fez isso?” sinuoso vem se lan√ßando contra a detetive Mare Sheehan de Kate Winslet. Sentada em um bar local e √† beira de tomar uma decis√£o que pode arruinar sua vida, Mare encontra seu novo jovem parceiro, o detetive Colin Zabel (Evan Peters), que est√° tr√™s folhas ao vento depois de sua pr√≥pria onda ruim, tipo uma reuni√£o escolar horr√≠vel. A troca deles dura menos de cinco minutos, mas durante esse tempo Winslet generosamente permite que Peters conquiste os holofotes enquanto Zabel percorre toda a gama de b√™bados desesperados, humor sarc√°stico e flertes nada sutis.

√Č uma cena crucial para a s√©rie, tanto estabelecendo o arco de Zabel quanto estabelecendo-o como um interesse rom√Ęntico vi√°vel – pelo menos em sua mente – para Mare. √Č tamb√©m uma cena que se transformou significativamente conforme o diretor da s√©rie Craig Zobel e Peters trabalharam nela. A dupla decidiu que o personagem de Zabel, escrito como um figur√£o impetuoso com muita arrog√Ęncia, funcionaria melhor como um jovem problem√°tico atormentado pela s√≠ndrome do impostor e um grande segredo para guardar. A ideia por tr√°s dessa cena, ent√£o, era mostrar Zabel em seu estado mais atraente e vulner√°vel enquanto sinalizava alguma turbul√™ncia ca√≥tica espreitando por tr√°s de seu comportamento abotoado. Tamb√©m foi crucial para obter o impacto emocional do que aconteceu com Zabel em um epis√≥dio posterior.

Este mergulho profundo se concentra principalmente no epis√≥dio tr√™s, mas cont√©m algumas discuss√Ķes sobre o resto da s√©rie. Se voc√™ n√£o est√° informado sobre o que acontece com Mare, Zabel, etc., proceda com cautela.

COMO TUDO COMEÇOU
Quando o criador da s√©rie Brad Ingelsby escreveu esta cena, ele sempre pretendeu que fosse a entrada de Zabel na esfera rom√Ęntica de Mare. Mas a abordagem mudou drasticamente quando Craig Zobel assumiu o lugar do diretor da s√©rie Gavin O‚ÄôConnor, e se interessou por um √Ęngulo diferente sobre o personagem de Evan Peters. Zobel foi encarregado de reinventar um pouco a s√©rie enquanto ainda incorporava a filmagem que Hood j√° havia filmado de v√°rios epis√≥dios. Foi uma tarefa nada invej√°vel. ‚ÄúEu queria fazer algumas coisas de forma diferente, mas queria ter certeza de que [combinava] com as coisas que j√° existiam para que estiv√©ssemos no mesmo mundo‚ÄĚ, diz Zobel. Uma oportunidade que ele pode ter visto foi na reinven√ß√£o de Colin Zabel.

Ainda h√° algumas evid√™ncias remanescentes do conceito original de Zabel no guarda-roupa de Peters. As belas camisas e o casaco liso foram feitos para a vers√£o mais chamativa do personagem, aquela que Peters teve aulas de sinuca para jogar. ‚ÄúMas quanto mais faz√≠amos isso‚ÄĚ, diz Peters, ‚Äúquero dizer, ele est√° morando com a m√£e. Ele est√° meio preso, atrofiado e preso. ” As roupas bonitas, ent√£o, se tornaram apenas mais um tijolo na parede da s√≠ndrome do impostor que Zabel construiu em torno de si.

Essa nova vers√£o mais ansiosa do personagem que eles constru√≠ram, no entanto, pode n√£o ter atrevidamente vagado at√© Mare no bar sem ainda mais coragem l√≠quida espirrando dentro dele do que estava escrito na p√°gina. Zobel n√£o est√° apenas carregando inseguran√ßas sobre este novo caso, ele tamb√©m est√° escondendo o segredo de que assumiu o cr√©dito pelo trabalho de outro investigador em seu √ļltimo caso.

‚ÄúCraig e eu nos encontramos para falar sobre Zabel e essa √© uma cena que surgiu‚ÄĚ, diz Peters. ‚ÄúEu disse, eu acho que ele deveria ser um merda. Ele tem tanto que est√° escondendo. Ele parece que tem tudo resolvido. Quando voc√™ descobrir no [epis√≥dio] cinco que ele est√° carregando essa coisa todo esse tempo, voc√™ quer v√™-lo no bar e pronto, cara, h√° algo por tr√°s disso. ‚ÄĚA pr√≥pria inseguran√ßa de Peters em retratar este novo, mais emocionalmente ca√≥tico Zabel, serviu como combust√≠vel adicional para a cena.”

PREPARANDO A CENA
Peters, Winslet e Zobel filmaram a intera√ß√£o do bar no in√≠cio do dia, por volta das 8h ou 9h. Embora Peters cite os pr√≥prios 20 anos que passou ‚Äúestourando os miolos‚ÄĚ com subst√Ęncias como uma pesquisa s√≥lida para brincar de b√™bado, ele recebeu uma pequena ajuda de manh√£ cedo: ‚ÄúQuando eu estava filmando a cena, estava bebendo vinagre de ma√ß√£. Tem um gosto muito √°cido e estranho. Mas se voc√™ beber o suficiente, come√ßa a ter um gosto bom. Portanto, parece muito semelhante a bebida para mim.” Peters n√£o tem certeza se foi o vinagre que avermelhou seu rosto e fez suas veias pularem: ‚ÄúAcho que isso acontece quando fico intenso ou emocional. Veias saltando da minha maldita cabe√ßa.”

Peters tamb√©m se apoiou pesadamente em longas noites passadas com seu pr√≥prio irm√£o, Andrew Peters, a fim de pregar a jornada ca√≥tica, por√©m carism√°tica, de Zabel por meio de uma bebedeira. ‚ÄúMeu irm√£o √© absolutamente hil√°rio quando bebe‚ÄĚ, diz Peters. ‚ÄúEle √© um homem muito seco e quieto, mas quando ele come√ßa a bater um pouco, ele est√° destruindo a pista de dan√ßa.‚Ķ Eu o canalizei muito, pensando em como √© estar de volta a um bar em St. Louis tendo bebedeira com todos os caras.‚ÄĚ

ACERTANDO A NOTA CERTA
Outra t√°tica que Peters empregou, uma de suas favoritas, foi tocar m√ļsicas para ajud√°-lo a ter a mentalidade certa. O epis√≥dio em si √© chamado de “Enter Number Two“, uma refer√™ncia √† m√ļsica de Gordon Lightfoot “If You Could Read My Mind“, em que uma letra – “entre o n√ļmero dois, uma rainha do cinema para representar a cena” – descreve um novo interesse amoroso . ‚ÄúEm certo ponto, t√≠nhamos aquela m√ļsica no epis√≥dio‚ÄĚ, diz Ingelsby, ‚Äúfoi o momento em que Zabel realmente entrou na vida [de Mare] como um interesse rom√Ęntico. Ela tem esses dois caras, como isso vai acabar?‚ÄĚ A m√ļsica de Lightfoot n√£o foi inclu√≠da na vers√£o final. Em vez disso, a m√ļsica tocando na jukebox do bar de esportes √© a ‚ÄúMr. Brightside.” √Č uma reformula√ß√£o do rock cl√°ssico de um grande sucesso de 2004 que certamente far√° os espectadores do mil√™nio sentirem dor nos ossos, e apropriada para uma festa p√≥s-reuni√£o do col√©gio com a presen√ßa de Peters, de 34 anos.

Mas era uma m√ļsica diferente – a triste ‚ÄúWhere’d All the Time Go‚ÄĚ de 2010 do Dr. Dog, que coincidentemente tamb√©m √© um sucesso atual do TikTok – que Peters se preparou para entrar no clima de algu√©m rec√©m-sa√≠do da reuni√£o de col√©gio onde ele teve que ver sua ex. ‚ÄúAquela sensa√ß√£o de estar em um relacionamento longo‚ÄĚ, diz Peters, ‚Äúe terminar mal‚ÄĚ. Zabel tamb√©m guarda o segredo de que fez passar o trabalho de detetive de outra pessoa como se fosse seu, a fim de progredir em sua carreira. ‚ÄúIsso acaba fazendo com que ele se sinta um impostor, uma farsa e um impostor‚ÄĚ, diz Peters. “Acho que ele est√° tentando matar isso com bebida.”

A fim de canalizar a frustra√ß√£o triste de Zabel por querer que Mare o visse como uma op√ß√£o rom√Ęntica vi√°vel, Peters tamb√©m ouviu ‚ÄúNew Light‚ÄĚ de John Mayer. A letra dizia, em parte: ‚ÄúOh, voc√™ n√£o pensa duas vezes sobre mim / E talvez voc√™ esteja certo em duvidar de mim, mas / Mas se voc√™ me der apenas uma noite / Voc√™ vai me ver sob uma nova luz.‚ÄĚ Enquanto a c√Ęmera de Zobel fica firme nos dois √ļnicos rostos na sala que importam por esses quatro minutos e meio, Zabel faz seu jogo de flerte e Mare de Winslet lhe d√° um olhar muito conhecedor em troca.

ENTER NUMBER TWO
Para Peters, a atra√ß√£o de Zabel por Mare est√° ligada a muitas outras emo√ß√Ķes confusas. ‚ÄúMare se torna uma esp√©cie de farol de luz‚ÄĚ, diz Peters. ‚ÄúApesar de todos os seus segredos e defici√™ncias, ela se sente muito honesta. Se ele trabalhar bem com ela e resolver este caso autenticamente, acho que essa pode ser a sua reden√ß√£o.‚ÄĚ Peters tamb√©m reconhece a “beleza √≥bvia” de Winslet como um aspecto fundamental do interesse de Zabel. Para Mare, a mistura de emo√ß√Ķes em torno de Zabel √© ainda mais confusa. No quinto epis√≥dio, Zabel morre repentinamente e de forma chocante enquanto ele e Mare rastreiam o homem que sequestrou e prendeu duas garotas locais. Nos momentos finais desse epis√≥dio, Mare fica em estado de choque com o que aconteceu, e o √°udio de seu filho Kevin quando crian√ßa brinca em sua mente. √Č uma prova de que, para Mare, seu jovem parceiro era mais uma crian√ßa a ser protegida do que um homem que tem o cora√ß√£o voltado para ela.

A conex√£o entre os dois personagens √© ainda mais profunda do que o que est√° na p√°gina. ‚ÄúOdeio a palavra meta‚ÄĚ, diz Peters sobre sua admira√ß√£o profissional por Winslet. ‚ÄúEu nem sei o que isso significa. Mas tudo bem, vou tentar aprender com Kate. Vou tentar fazer o melhor trabalho que puder. Colin tamb√©m vai l√° tentando aprender com Mare.‚ÄĚ

Winslet, que tamb√©m foi produtora executiva de Mare, √© uma parceira de cena amplamente reativa aqui, e Peters, nas garras de sua pr√≥pria s√≠ndrome do impostor e cheio de ansiedade por ter dado um golpe t√£o grande com a embriaguez desleixada de Zabel, ficou grato pelo apoio. ‚ÄúFoi uma filmagem de montanha-russa‚ÄĚ, lembra Zobel. “Acho que Evan, de repente, investiu muito para garantir que chegar√≠amos l√°.”

‚ÄúKate √© uma pessoa incr√≠vel e realmente emp√°tica e compassiva, cuidando de todos e de um jogador de equipe com os p√©s no ch√£o‚ÄĚ, diz Peters. “Ela est√° basicamente reagindo por eu ser um idiota b√™bado. Ela foi muito paciente e me deu tempo para fazer isso… Tenho minhas inseguran√ßas a respeito de cada cena. Ela tem me apoiado muito e est√° sempre dispon√≠vel para mim. Vindo de Kate √© realmente uma honra.‚ÄĚ

A RESSACA
Depois de v√°rias tomadas, tanto Winslet quanto Zobel estavam mais do que satisfeitos. ‚ÄúEu estava nas nuvens‚ÄĚ, diz Zobel. ‚ÄúEu poderia dizer que foi especial quando est√°vamos filmando aquela coisa… Lembro-me de ter abra√ßado [Peters] no final. Foi emocionante.‚ÄĚ Isso √© um eufemismo; Peters estava um caco. ‚ÄúO motivo de estarmos emocionados e nos abra√ßando era porque eu estava solu√ßando histericamente‚ÄĚ, diz Peters. ‚ÄúAchei que n√£o t√≠nhamos entendido a cena. Eu estava tipo, ‚ÄėN√≥s n√£o entendemos, n√£o entendemos. Eu n√£o posso fazer isso. Eu sou terr√≠vel. Vou seguir voc√™, Craig, e ser um diretor porque n√£o posso mais fazer isso.”

Winslet tentou ajudar Peters a seguir em frente. ‚ÄúEu estava tipo,‚Äė Oh, Deus, eu n√£o entendi ‚Äô‚ÄĚ, diz Peters. Winslet respondeu, no estilo en√©rgico da Mare: ‚ÄúVamos tomar uma x√≠cara de caf√©. Eram √≥timas. E assim fizemos.” Foi s√≥ quando o epis√≥dio foi ao ar e a cena recebeu elogios que Peters entendeu o que ele havia conquistado. ‚ÄúFiquei surpreso… fiquei‚ÄĚ, diz ele. “Eu pensei que tinha falhado miseravelmente.”

‚ÄúEle est√° vendendo a si mesmo‚ÄĚ, diz Ingelsby. “Evan √© maravilhoso.” Zobel concorda e acrescenta que ficaria entusiasmado em trabalhar com Peters novamente. ‚ÄúEu realmente sinto que ele elevou esse personagem‚ÄĚ, diz Zobel. ‚ÄúEle encontrou uma maneira de criar um cara √ļnico que voc√™ reconhece. Voc√™ fica tipo, eu conhe√ßo aquele cara, ele mora com a m√£e, mas ele √© um cara t√£o bom.”

Pregar essa cena n√£o apenas cimentou Zabel como um favorito do p√ļblico e revelou ainda mais detalhes do talento de Peters, mas colocou todos que assistiam ao show no lugar de Mare quando Zabel finalmente morreu. De acordo com Ingelsby e Zobel, o horror e a tristeza de Mare por Zabel s√£o o catalisador para sua descoberta terap√™utica que, por sua vez, a ajuda a desvendar o caso. Em outras palavras, sem essa cena, o show n√£o funciona t√£o bem. E bastou algumas l√°grimas, vinagre de ma√ß√£ e um pouco de John Mayer.

Para ler a entrevista completa e em inglês, clique aqui.

Em entrevista ao site Awards Watch, Evan conversa ao telefone com o cr√≠tico de cinema e TV, Dewey Singleton, o qual faz perguntas sobre a miniss√©rie Mare of Easttown, sobre as grava√ß√Ķes e colegas de atua√ß√£o.

√Č dif√≠cil imaginar que o Evan Peters que eu conversei no telefone hoje √© o mesmo homem que interpretou uma gama de indiv√≠duos doidos por 10 anos em American Horror Story e est√° em produ√ß√£o em Monster, interpretando o not√≥rio serial killer Jeffrey Dahmer, para o conhecido diretor de AHS, Ryan Murphy.
O incrivelmente prazeroso Peters, no qual alguns conhecem como Quicksilver do universo X-Men e mais recentemente visto em WandaVision, da Disney+, tem uma habilidade incr√≠vel de desaparecer em cada papel que assume. Quer ele esteja interpretando o marido extraviado Stan em Pose ou o ladr√£o de museu Warren em American Animals, sua prepara√ß√£o √© completa e diligente e leva a resultados fant√°sticos. Seu √ļltimo papel √© um pouco diferente do que costumamos o ver interpretando. Peters interpreta o detetive Colin Zabel na miniss√©rie de sucesso da HBO, Mare of Easttown, que acabou de finalizar sua temporada em 30 de maio como um dos maiores programas de TV da temporada, onde ele estrela ao lado de Kate Winslet e Julianne Nicholson. Zabel √© a espinha dorsal moral desta narrativa e permite a Peters desempenhar um papel ao qual ele n√£o est√° muito acostumado, um bom e legal cara. Tivemos a sorte de falar com Peters ao telefone sobre tudo, desde seu comercial Papa John’s Pizza, spoilers da Marvel, Ryan Murphy e sua atua√ß√£o brilhante em Mare of Easttown. Mas cuidado, h√° spoilers pela frente se voc√™ ainda n√£o viu a s√©rie inteira.

Dewey Singleton: Como está, Sr. Peters, está ouvindo? Você está aí?

Evan Peters: Estou ligado, estou aqui. Você pode me ouvir?

DS: Estou te ouvindo. Muito obrigado pelo seu tempo. Eu respeito isso. Eu sei que você tem coisas pra fazer, então vou superar isso e tentar não me abater. Muito obrigado por me permitir falar sobre sua performance maravilhosa em Mare of Easttown.

EP: Obrigado, obrigado por dedicar um tempo comigo num domingo. Eu agradeço.

DS: Vamos come√ßar do in√≠cio, √© claro, porque tenho algumas perguntas importantes para fazer imediatamente. O que voc√™ mais temeu durante sua carreira, pessoas mencionando seu trabalho comercial com o Papa John’s ou recebendo um telefonema de Ryan Murphy para lan√ßar mais um personagem doido?

EP: (risos) Na verdade, n√£o me importo … Papa John’s … foi uma filmagem divertida. √Č sempre um prazer receber uma liga√ß√£o de Ryan, voc√™ sabe, ele √© um escritor t√£o brilhante. Por isso, estou sempre animado para mergulhar em algo com ele. Ele escreve coisas t√£o complicadas que s√£o sempre um desafio.

DS: Veja, eu sou mais fã do seu comercial do Sour Patch Kids, mas acho que isso é apenas um preconceito meu.

EP: (risos) E quanto ao Progressive Insurance? Sempre adorei o Progressive Insurance.

DS: Esse fica em terceiro lugar para mim. (Peters ri) Se eu fosse classificá-los, provavelmente seria РSour Patch Kids, Papa John’s e depois Progressive. Essa é uma classificação difícil para mim. Eu não me vejo a mudando nunca.

EP: E os do Moviefone?

DS: Sim, bem, poderíamos falar sobre isso mais tarde, mas estamos aqui para falar sobre Mare of Easttown, mas eu quero perguntar; o que você gosta em interpretar personagens que são muito sombrios e complicados?

EP: Acho que √© um desafio. √Č por isso que me sinto atra√≠do. Quando eu assumo esses pap√©is, acho que s√£o muito dif√≠ceis de fazer. Acho que, como ator, acho isso um desafio muito intrigante e, como eu disse, voc√™ sabe, Ryan os est√° escrevendo. Acho que escrever √© bom demais para n√£o aceitar o desafio e mergulhar de cabe√ßa. Acho que √© isso que me atrai.

DS: √Č por isso que voc√™ concordou em interpretar Jeffrey Dahmer?

EP: √Č uma hist√≥ria de cair o queixo. Eu n√£o sabia muito sobre isso. Ent√£o, eu estava animado para pesquisar e aprender mais sobre ele.

DS: Nos √ļltimos meses, o que voc√™ mais procurava – spoilers da Marvel ou spoilers de Mare of Easttown.

EP: (risos) Acho que é Mare of Easttown. Todo mundo queria saber quem era o assassino.

DS: Falei com Julianne sobre sua atuação no programa, ela disse que muito poucas pessoas sabiam quem era o assassino. Você foi um dos poucos?

EP: Eu n√£o sabia, n√£o queria saber. Eu propositalmente n√£o li os epis√≥dios seis ou sete para evitar descobrir. Eu queria acreditar que Wayne Potts era o assassino. Eu s√≥ n√£o queria saber. Eu s√≥ queria aproveitar os dois √ļltimos epis√≥dios como espectador.

DS: Eu escolhi o personagem de Julianne desde o início e, é claro, acabamos, você sabe, ambos errados no final. O que inicialmente o atraiu para o projeto?

EP: Bem, acho que Kate Winslet foi uma das principais atra√ß√Ķes, com certeza. Quer dizer, eu sou um grande f√£ dela e ela √© uma atriz brilhante. E ent√£o eu realmente agarrei a oportunidade de trabalhar com ela. Foi tamb√©m um drama policial da HBO. Eu era um grande f√£ de True Detective e todos os programas da HBO que sa√≠ram, √© um √≥timo canal.

DS: Achei que você queria mostrar o outro lado de sua habilidade de atuação.

EP: Foi bom interpretar um cara que era bonito, sabe, pé no chão e normal e veio de uma cidade pequena. Você sabe, me senti mais perto de quem eu sou como uma pessoa que conheço. Esta é uma boa troca e uma mudança em relação às coisas que eu fazia no passado. Eu estava com um pouco de medo de trabalhar com Kate, mas ela provou ser incrivelmente colaborativa e simplesmente fantástica.

DS: O que havia de t√£o assustador na Kate?

EP: Eu acho que ela é uma das melhores atrizes do nosso tempo e, você sabe, só de estar na mesma sala com ela, principalmente em uma cena com ela, você sabe, foi realmente tudo naquele momento.

DS: Qual foi a cena mais difícil de filmar para você, sua sequência final no episódio 5 ou beijar Kate?

EP: Acho que foi beijar a Kate. Quer dizer, eu estava t√£o nervoso em fazer isso. (risos)

DS: Voc√™ j√° se cansou de toda aquela cerveja da Pensilv√Ęnia?

EP: Nunca, nunca se canse de beber isso. √Č muito bom! (risos)

DS: Eu solicitei algumas perguntas aos f√£s para esta entrevista e fui enviado perguntando qual era a sua cena favorita de filmar.

EP: A cena do jantar quando estou no meu encontro com a Mare.

DS: Recebi alguns enviados que eram mais declara√ß√Ķes do que perguntas. Eles basicamente disseram “Oh meu Deus … Oh meu Deus, eu te amo”.

EP: (risos) Obrigado!

DS: Você trabalharia com Brad novamente?

EP: Com certeza, num piscar de olhos, gostei de trabalhar com ele.

DS: Você faria uma sequência de Mare, onde vemos as raízes de Zabel?

EP: Estou muito satisfeito com a jornada do meu personagem e não acho que isso seja possível, mas eu trabalharia com Brad em quase tudo.

DS: Não tenho certeza de como você faria isso, já que seu personagem está morto.

EP: (risos) Concordo.

Mare of Easttown está disponível para assinantes do serviço HBO Max. Evan Peters está elegível para concorrer ao Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada, Série de Antologia ou Filme.

Leia a entrevista completa em inglês aqui.

Em entrevista ao site The Wrap, a Mestre em adereços na produção audiovisual, Susannah McCarthy comentou detalhes sobre a produção da série Mare of Easttown e como foi trabalhar ao lado das estrelas Evan Peters e Kate Winslet.

[…] √†s vezes, os atores forneceram informa√ß√Ķes valiosas, como a forma como o costar Evan Peters utilizou uma caneca de marca especial que emerge do pas de deux que seu personagem e Mare tomam em seus caf√©s matinais do local de filmagens.
E a ideia de Kate Winslet de que o celular de Mare deveria sempre estar com a tela quebrada. “Evan e Kate olhavam para tudo com anteced√™ncia, at√© o coldre que deveriam estar usando, ou a caneta vaporizadora que representa um ref√ļgio para Mare. Eles s√£o atores incr√≠veis e √© uma alegria trabalhar com eles. ‚ÄĚ
E, […] a comida √© um grande neg√≥cio no programa, seja os salgadinhos da Mare, seus jantares com seus pretendentes masculinos (que incluem o colega detetive de Peters e o personagem que trabalha na faculdade, de Guy Pearce) ou as v√°rias noites de pizza retratadas na s√©rie. ‚ÄúA comida era complicada, al√©m disso, h√° muita bebida neste programa [como as cervejas Rolling Rock da Mare]‚ÄĚ, observou McCarthy, um problema agravado pela pandemia, que for√ßou uma paralisa√ß√£o de produ√ß√£o de meses e mais do que uma pequena preocupa√ß√£o com todos esses detalhes √ļteis. ‚ÄúNosso trabalho √© higiene alimentar e seguran√ßa alimentar, e antes de colocar qualquer alimento no set, √©ramos abundantemente cautelosos, ent√£o cabia a n√≥s garantir que estamos fazendo o nosso melhor para estarmos seguros‚ÄĚ.

Para ler a entrevista completa e em inglês, clique aqui.

Em entrevista ao site Backstage, Evan relata detalhes sobre alguns testes para projetos de sua vida profissional, al√©m de contar sobre seu processo de entrar nos personagens. E ao olhar para o passado, deixa uma mensagem para seu “eu” mais jovem.

Seja protagonizando uma nova antologia de Ryan Murphy, se mesclando ao universo cinematogr√°fico da Marvel, ou atuando ao lado de Kate Winslet em “Mare of Easttown “, Evan Peters √© um ator que se compromete totalmente, mas nem sempre foi desse jeito. Durante o in√≠cio de sua carreira fazendo comerciais e pulando entre audi√ß√Ķes (como a com Seth Rogen para “Superbad”), o talentoso artista diz que ele falaria ao seu “eu” mais jovem para “parar de brincar” e levar o trabalho mais a s√©rio como ele faz atualmente.

B: O que o fez primeiramente querer interpretar o detetive Colin Zabel?
E: Eu tinha os materiais e os roteiros eram maravilhosos e as pessoas participando também eram maravilhosa. Mas realmente foi a chance de trabalhar com Kate Winslet e apenas poder estar na mesma sala que ela.

B: Eu imagino que uma atriz como ela eleva a performance de todo mundo.
E: Sim, definitivamente.

B: Quando aparece um projeto como “Mare of Easttown”, o quanto mapeada √© a sua performance como Colin? Voc√™ sabia de todos os rolos e desenrolar que estavam no caminho do seu personagem?
E: Eu tinha conhecimento at√© o epis√≥dio 5. Eu sabia o que acontecia at√© ali, e depois eu decidi que n√£o queria mesmo saber o que aconteceria depois… Voc√™ sabe, voc√™ tem um plano, mas enquanto voc√™ est√° filmando e o ambiente toma conta e o que a Kate est√° fazendo e diretores est√£o pensando, voc√™ apenas entra no momento e brinca mais e tem uma vis√£o melhor do que est√° sendo feito e o que pode ser reajustado.

B: Você se descreveria mais como um ator técnico ou mais instintual? Como funciona o seu processo de construir um novo personagem?
E: Ah cara, eu ainda estou tentando descobrir isso sobre mim. Eu acho que estou explorando maneiras diferentes de fazer as coisas e ver o que funciona e o que não funciona. Eu tenho fazer um pouco dos dois, sabe? Eu tento fazer o máximo de pesquisa que conseguir antes de começarmos a filmar. Eu assisto muita coisa, eu leio muita coisa, eu tento entrar na mente do que o personagem está passando e entender o mundo dele o melhor que eu puder. E aí um dia, quando você está lá e está filmando a cena, algumas coisas que você vem trabalhando funcionam e outras você apenas tem que largar de mão. Eu sou muito aberto e colaborativo para com novas ideias e técnicas e jeitos de trabalhar com todos os tipos de coisas, porque eu apenas estou tentando de tudo e vendo o que funciona. Então, é ainda um trabalho em progresso, eu acho que essa é a melhor resposta.

B: Você trabalha em oposto com a Winslet aqui, e olhando para o resto dos seus trabalhos, você tem tido muitas companhias de cena maravilhosas durante os anos. Na sua opinião, o que faz um ator ser uma grande companhia de cena?
E: eu aprendi que tem muito a ver com estar no momento e tipo ir com o que voc√™ tem e o que funciona e estar bem relaxado. Voc√™ sabe, eu acho que muitos dos companheiros de cena e √≥timos atores e atrizes que eu trabalhei s√£o sempre muito relaxados e confort√°veis. E depois eles entram com tudo na cena. √Č realmente muito impressionante assistir eles fazendo isso. Isso √© uma coisa que eu sempre quis ter deles.

B: Acabando com “Mare” aqui especificamente, teve alguma intera√ß√£o que apareceu em cena que te pegou de surpresa no momento? Alguma coisa entre voc√™ e Winslet que realmente te animou?
E: Tiveram algumas coisas. Eu acho que uma coisa que sempre me interessou muito foi que ambos, o diretor Craig Zobel e eu e Kate pensamos que foi realmente engra√ßado o quanto a Mare n√£o quer o Colin l√° no in√≠cio. E ent√£o, para isso, a Kate vinha nas cenas muito dura e dif√≠cil de se entrosar, sabe? E como Colin, voc√™ est√° sentado l√° tentando conversar com ela e dizendo “Olha, cara, eu estou tentando te ajudar. Voc√™ pode me deixar?” E eu sempre achei isso muito chocante no momento, porque eu simplesmente nunca imaginei que ela n√£o me queria tanto desse jeito. Ent√£o aquilo foi meio que chocante e eu me via depois de uma filmagem tipo, oh, meu, Deus. √Č t√£o engra√ßado o que ela faz em n√£o me querer l√° de jeito nenhum e eu estou tentando tanto fazer com que ela goste de mim. Ent√£o isso sempre foi um momento chocante.
E depois eu acho que naquela cena no bar, teve um momento no final quando ela diz algo e ela meio que me deu um olhar em alguma hora que ficou tipo, “Talvez eu queira que voc√™ fique aqui comigo.” Sabe? E eu meio que fui pego ali. Eu s√≥ olhei pra ela de um jeito e senti aquele sentimento tipo oh meu Deus, talvez ela realmente me queira aqui! Foi aquele sentimento de anima√ß√£o e atra√ß√£o que me pegou de surpresa no momento. Ent√£o isso foi outra coisa que eu n√£o estava esperando que ela fosse fazer, se abrir um pouco naquele momento.

B: Ela te mantém na reta.
E: Exato, sim.

B: Como você recebeu sua primeira carta do SAG-AFTRA?
E: Eu acho que foram alguns comerciais. Foi num comercial do Papa John’s ou Sour Patch Kids ou um comercial do Moviefone. Foi um desses tr√™s, porque naquela √©poca, eu fazia esses comerciais e j√° estava apto para o pr√™mio Taft-Hartley e ent√£o finalmente recebi o cart√£o.

B: Você tem algum teste para American Horror Story que poderia compartilhar conosco?
E: Eu tenho muitos. Eu lembro que uma vez estava fazendo teste para “Superbad“, esse realmente se destacou. Eu lembro que Seth Rogen estava na sala, e eu estava t√£o nervoso. Eu tremia. Voc√™ sabe, eu tinha tudo pronto, mas eu provavelmente poderia ter me preparado mais. Foi nos meus 20 e poucos anos, n√£o sabia o que eu estava fazendo; talvez at√© tenha sido antes dos meus 20 anos, na adolesc√™ncia. Eu estava t√£o nervoso, e minha boca estava t√£o seca que eu nem conseguia falar nada. Eu estava tentando tanto parecer tranquilo, mas eu n√£o conseguia respirar, eu estava tremendo, e minha boca estava t√£o seca de forma que depois do teste, eu acredito que Seth ou o diretor de elenco disse a um dos assistentes de elenco para me trazer um copo de √°gua. (Risos) Eles me trouxeram esse copo gigante de √°gua, e aquilo foi o final do teste. Eu n√£o passei.

B: Eu acho que isso poderia ter tido dois lados. Ou você teve sucesso interpretando de modo super estranho um desses personagens adolescentes, ou tudo apenas caiu por terra.
E: Sim, eu falhei totalmente.

B: Qual foi a coisa mais selvagem que você já fez para conseguir um papel?
E: Eu lembro desse filme que eu fiz, “Gardens of the Night“, eu estava interpretando um personagem que se vestia com roupas de mulher e usava maquiagem, ent√£o eu deixei minhas unhas crescerem bem grandes e as pintei. Eu meio que j√° sabia que ia conseguir aquele papel. Ent√£o eu comecei a fazer isso, e eu apostei total em roupa, maquiagem e tal, de roupa feminina. Eu acho que elas eram meio estranhas. Mas eu decidi ir com tudo. Eu realmente queria o papel.

B: Eu terei que voltar e assistir esse de novo. Eu sei que o elenco tinha Gillian Jacobs, John Malkovich…
E: Sim, foi um filme ótimo. Eu realmente gostei de trabalhar nele. Foi legal. Nós fomos conversar com as crianças que tinham sido tiradas de suas famílias ou jogadas na rua. Foi interessante trabalhar nisso com certeza. Eu aprendi muito.

B: Qual é a performance que você acha que todo ator deve ver e por quê?
E: Existem muitas. Quando eu era muito mais jovem, eu estava assistindo “Forrest Gump”. Eu acho que o Tom Hanks nesse filme √© uma performance fenomenal e emocionante e engra√ßada, e ele acertou em tudo. N√£o tem um erro qualquer. E depois quando eu cresci, eu acho que foi depois que Marlon Brando morreu em 2004, que algu√©m disse, “Olha, o Marlon Brando morreu” e eu disse, “quem √© Marlon Brando?” (Risos) Ent√£o depois √© claro que eu fiquei obcecado com ele, e sua performance como Stanley Kowalski (em Uma Rua Chamada Pecado) √© uma das melhores atua√ß√Ķes que eu j√° vi. √Č t√£o fluida e natural que joga as coisas ao ar e elas explodem. Ele est√° apenas incr√≠vel nesse papel.

B: Você também mencionou que um dos grandes motivos de participar de Mare of Easttown foi a atuação com Kate Winslet. Você tem alguma performance favorita da carreira dela?
E: Essa √© uma pergunta t√£o dif√≠cil. Ok, eu vou lhe dar tr√™s: obviamente “Titanic”, esse √© essencial. E depois “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembran√ßas”, onde ela √© simplesmente hil√°ria e ador√°vel, maravilhosa, tr√°gica, assustadora e todas essas coisas. √Č realmente incr√≠vel ver ela trabalhar nesse filme. E depois “O Leitor”, que √© arrebatador, performance brilhante. E t√£o dif√≠cil de fazer. Eu n√£o consigo imaginar o qu√£o dif√≠cil foi fazer aquele filme. Ela realmente √© incr√≠vel. Ent√£o, eu acho que essas tr√™s. Eu n√£o poderia lhe dar apenas uma, ela √© boa demais.

B: Qual seria o seu conselho para o seu “eu” jovem?
E: Eu sinto que foi depois dos meus 20 anos que eu comecei a ser tipo, “Voc√™ precisa levantar essa bunda. Voc√™ precisa tentar trabalhar mais duro.” Pare de brincar por a√≠, essencialmente. Eu estava me divertindo por a√≠ e saindo no meu instinto e brincando demais (como um ator), e se nada me intrigasse na √©poca, eu simesmente estragava com tudo e acabava com tudo. E isso √© claro para mim. Era apavorante. Mas, √©, eu diria: “Voc√™ precisa botar o cinto e sentar direito. E tentar muito. D√™ tudo de si. O truque √©. Voc√™ nunca aparenta que est√° tentando o suficiente. Eu acho que Laurence Olivier disse, “Se voc√™ der 110%, parece que est√° tentando demais, ent√£o voc√™ tem que dar 65%.” Eu acho que isso significa mais em termos de prepara√ß√£o, aprender suas falas, fazer sua pesquisa, preparar o quanto voc√™ possivelmente pode, e depois deixar tudo levar e se divertir, o que √© dif√≠cil pra c****** de fazer quando se tem tanta press√£o. Ent√£o, eu n√£o sei. √Č uma faca de dois gumes: Tente arduamente e deixe-se levar, o que ainda estou aprendendo a fazer. Mas, sim, eu diria: “Pare de brincar por a√≠, cara. Memorize suas falas, se destaque, e tente seu melhor.” Isso √© o que eu diria a mim mesmo quando jovem.

 

Leia a entrevista completa em inglês aqui.

Em entrevista ao podcast Still Watching da Vanity Fair, Evan conta sobre o processo das filmagens da minissérie Mare of Easttown na qual interpretou o detetive Colin Zabel. Também trás detalhes das filmagens durante a pandemia e conta à entrevistadora Joanna Robinson qual são os planos para sua carreira e filmes que está curtindo atualmente.
Joanna: Ok eu vou começar com uma pergunta meio idiota mas foi o que todos perguntaram, que é: O que te atraiu para este projeto em primeiro lugar? Mas eu estou muito curiosa com a sua resposta porque esse projeto foi muito diferente para você então eu estou muito interessada. 

Evan: Sim. Eu fiz parte de algo diferente. Eu sempre via que no projeto tinha a Kate Winslet ent√£o pensei… SIM! OK! (Risos) Mas eu fiz meu teste em v√≠deo e mandei para eles e, eu gosto da ideia que a s√©rie se passa em uma cidade pequena, eu vim de uma cidade pequena ent√£o tudo pareceu muito real para mim. Ent√£o eu fiquei interessado em trabalhar nisso e novamente, era uma oportunidade de trabalhar com Kate Winslet e aprender com ela e ver seu processo. Ent√£o, √©, foi basicamente isso.

Joanna: O que você aprendeu do processo dela?

Evan: Eu aprendi sobre detalhes. Kate √© uma pessoa muito detalhista e orientada. Ent√£o isso foi muito √ļtil e n√£o sei quanto disso fazia parte do processo dela. Ela costumava chegar √†s 2:38 da tarde para o trabalho e dizer ‚Äúok, n√≥s acabamos de almo√ßar, pegamos um caf√© agora vamos fazer isso”. E eu pensava ‚Äúser√° que eu deveria ser assim?‚ÄĚ (risos). Eu n√£o estava preparado desse jeito, ent√£o era muito legal ver ela chegar e j√° entrar nas circunst√Ęncias da hist√≥ria e do personagem, eu achei isso muito legal e √ļtil. E a Kate √© uma pessoa maravilhosa, ela tem muita empatia e compaix√£o e cuida de todos, e trabalha em grupo, tamb√©m √© p√© no ch√£o e essa habilidade de sair e entrar no personagem com tanta facilidade me deixou incrivelmente com inveja disso. Ent√£o foi muito bom ver ela balancear isso tudo na s√©rie e trabalhar tantas insanas horas e ainda ser um doce de pessoa ent√£o foi realmente muito incr√≠vel trabalhar com ela.

Joanna: Eu estava conversando com o diretor (da s√©rie), que √© o homem mais am√°vel do mundo e ele me disse que enquanto ele lia as p√°ginas do roteiro, ele via o personagem (Zabel Colin) muito diferente, que tinha uma abordagem diferente. E voc√™s decidiram dar outro ar ao personagem, o que foi uma boa ideia. Eu queria saber se voc√™ tinha ideia disso e se considerava o personagem tendo outro √Ęngulo como no roteiro?

Evan: Sim, eu acho que originalmente ele tinha um ar de detetive durão e que estava sempre certo, ele sabia puxar a arma muito bem e rápido e eu nem estava fazendo aulas sobre isso (risos). Mas ele mora com a mãe e sua ex o deixou faz 5 anos, então ele acabou pegando aquele caso anterior dele como se ele tivesse resolvido e depois viu o quanto ele tinha errado fazendo isso. E eu acho que você pode interpretar isso de duas maneiras, ou ele fez isso porque era muito orgulhoso ou porque tinha muita insegurança dentro de si e não faz ideia do que está fazendo ali. Então, eu prefiro fazer do segundo jeito e eu realmente acho que interpretei Colin do jeito que eu estava aprendendo com Kate, Colin estava aprendendo com Mare, como ela lida com seus instintos e isso é algo que Colin perdeu então ele está tentando ganhar isso tudo de volta. E eu acho que foi divertido ter o Colin desse jeito ali perto da Mare sem saber onde ir e aprendendo tudo com ela, pois afinal ela sabe que apesar de tudo ele só quer aprender a trabalhar corretamente e fazer um bom trabalho, ela vê a inocência nele.

Joanna: Tem uma cena no epis√≥dio tr√™s que Colin est√° b√™bado e ele fala v√°rias coisas que eu acho que o p√ļblico pode se identificar muito com ele e realmente √© uma das melhores cenas de b√™bado que eu j√° vi ent√£o, eu queria saber como foi o processo para grav√°-la?

Evan: Obrigada! Foram anos de pesquisa e experiência (risos). Mas realmente acho que ali Colin queria falar algo que ele estava guardando no peito, ele queria ter alguém perto dele para compartilhar aquilo e depois de ter pego as evidências do outro cara e surgido com elas como se ele tivesse descoberto, ele acabou se afogando nas bebidas para se livrar daquela lembrança, e aí aparece a Mare e ele realmente gosta muito dela. Ele vê nela esse sentimento que o faz sair da sua zona de conforto e ele gosta disso, ele vê nela o bom detetive que ele quer ser. Não sei se isso foi uma resposta muito técnica para sua pergunta. 

Joanna: Eu tenho uma pergunta técnica na verdade sobre essa cena, que durante ela eu olhei bem de perto e vi suas veias saltadas no rosto e pensei se você estava espremendo seu rosto entre seus joelhos durante as filmagens para aquilo acontecer (risos).

Evan: Eu não sei, eu acho que isso acontece quando a coisa fica intensa ou eu fico muito emocionado ou algo assim, acho que é.

Joanna: Isso acontece quando eu bebo muito álcool, mas eu acho que isso ficou ótimo para cena.

Evan: Ap√≥s esta cena eu abracei muito o Frank (diretor) e chorava compulsivamente porque eu achava que n√≥s n√£o t√≠nhamos filmado a cena corretamente ent√£o eu comecei a gaguejar e falar ‚Äúeu sou um ator terr√≠vel eu fiz tudo errado e arruinei tudo‚ÄĚ e o Frank disse ‚Äún√£o ok ok est√° tudo bem, eu acho que n√≥s pegamos tudo certo‚ÄĚ e eu continuava dizendo que n√£o sabia e duvidando de mim mesmo. E depois me disseram que as pessoas estavam realmente amando aquela cena e eu fiquei tipo ‚Äús√©rio?‚ÄĚ Ent√£o foi um √≥timo al√≠vio, mas eu pensei muito sobre o que estava acontecendo com o meu auto julgamento naquele momento.

Joanna: Acho que todos temos um pouco dessa síndrome de impostor com nós mesmos, não é?! Agora quero saber sobre as filmagens na pandemia, como foi tudo isso?

Evan: N√≥s sa√≠mos das filmagens em mar√ßo de 2019 e voltamos em setembro ent√£o eu acho que na maior parte houveram muitas edi√ß√Ķes acontecendo na s√©rie, a√≠ quando voltamos t√≠nhamos todas as m√°scaras e face shields e prote√ß√Ķes diferentes com todo o pavor de pegar esse v√≠rus mortal ent√£o eu estava tentando juntar tudo isso com a ideia de ter que voltar pras grava√ß√Ķes e todo o sotaque do personagem (risos).¬†

Joanna: O sotaque foi outra coisa que você achou que não tinha conseguido fazer? Porque todos estão dizendo que o seu foi o melhor sotaque da série ou um dos melhores.

Evan: S√©rio? Nossa! (Risos). Sim eu achei que n√£o tinha conseguido isso tamb√©m, mas tamb√©m tinha a Kate que √© da Inglaterra e eu sempre a vi falando ingl√™s brit√Ęnico e ela chegava e falava igual uma americana! Mas t√≠nhamos tamb√©m o Steve que tinha o sotaque que o Colin devia ter e eu conversava muito com ele pra ensaiar e estudar o sotaque. Eu nunca havia ouvido esse tipo de sotaque na minha vida ent√£o foi muito novo para mim, mas eu amei e foi muito divertido de fazer e bizarro (risos).

Joanna: Eu tenho que perguntar aqui o que voc√™ acha da morte do Zabel, porque foi algo muito chocante naquele epis√≥dio porque ele estava aprendendo algo com a Mare e sua vida estava tomando outras dire√ß√Ķes e ent√£o ent√£o acabou. A primeira vez que eu vi pensei que a bala tinha escapado da cabe√ßa, mas depois vi todo o sangue e notei que tinha acertado. O que voc√™ me diz desse acontecimento?

Evan: Pobre Zabel, eu sempre achei tão chocante e real. Morte, acidentes, doenças, esse tipo de coisa acontece do nada e não sabemos como reagir. Mas eu acho que isso deixou claro como é assustador e perigoso trabalhar como detetive e como as coisas podem acontecer com você, mas realmente me chocou muito.

Joanna: Como você incorporou e interpretou a fé do Zabel?

Evan: Eu sempre fui criado num ambiente cat√≥lico, eu fui a uma igreja cat√≥lica quando crian√ßa e √© interessante porque na verdade eu nunca pratiquei o catolicismo, eu me considero na verdade um agn√≥stico atualmente, e eu acho que fiz isso com o Zabel tamb√©m. Mas acho que ele tamb√©m est√° num tumulto com essa quest√£o pessoal porque vemos ele tendo problemas com seu trabalho de detetive e vendo o que ele v√™ diariamente no seu trabalho realmente √© algo que mexe com sua f√© e a abala um pouco. E ele tamb√©m tenta se distanciar da m√£e at√© onde vimos e sua m√£e √© uma cat√≥lica praticante ent√£o isso acaba sendo outra deixa para ele se distanciar da religi√£o em si. Eu acho que a vontade de Zabel era sobretudo se distanciar de toda sua fam√≠lia, virar um homem e mandar tudo pro alto, ser independente finalmente e ter tudo sob nova perspectiva. Ele √© um garoto-homem e a Mare v√™ isso e deixa claro pra ele que ele tem que se posicionar e ter suas pr√≥prias opini√Ķes e ideias que fogem da sua normalidade com a fam√≠lia.

Joanna: Evan, minha √ļltima pergunta, e novamente muito obrigada por aceitar fazer isso conosco.

Evan: Sem problemas, obrigado à vocês. 

Joanna: Eu sei que sua carreira tem sido bem sólida como ator, mas eu fico imaginando se após todos esses trabalhos você gostaria de se aventurar como diretor ou algo assim? 

Evan: Sabe, a √ļltima vez que eu falei com o diretor da s√©rie eu disse que queria muito participar do pr√≥ximo projeto dele porque o cara √© muito legal e tem muita criatividade, foi uma experi√™ncia maravilhosa trabalhar com ele. E em termos de dire√ß√£o eu acho que quero tentar algo mais relacionado a projetos da vida e do dia a dia de todos, estou atualmente assistindo muito desse tipo de projeto mais aut√™ntico mas acho meio assustador partir da atua√ß√£o para a dire√ß√£o, mas vamos ver como tudo continua, n√£o se sabe…¬†

Joanna: Bem rapidinho, eu gostaria de saber quais são as coisas essas que você diz que está assistindo atualmente nesse tom?

Evan: Eu sabia que voc√™ ia perguntar isso (risos). Eu tenho uma √≥tima lista, n√£o sei se vou pronunciar isso certo mas tem um filme que √© Au hasard Balthazar de 1966, √© um dos melhores filmes que eu j√° vi e n√£o tem nada demais nele mas a atua√ß√£o √© √≥tima e t√£o emotiva, nem tenho palavras pra descrever esse filme (risos). E tamb√©m assisti Stroszek que foi √≥timo, Uzak tamb√©m, foi um filme muito calmo e silencioso, Buffalo’66 era legal tamb√©m, muito intenso. Ah! E tamb√©m A Woman Under the Influence, √© √≥timo! Filme fant√°stico e com atua√ß√Ķes fant√°sticas. E uma coisa que eu gostei desses filmes √© que eles s√£o bem longos, mas nada √© cortado deles, nenhuma cena pequena √© cortada, est√° tudo ali. √Č tudo muito animador de assistir, ent√£o eu estou bem interessado nesse tipo de filme no momento.

Joanna: Acho que depois desse ano tumultuado que tivemos, é legal ver esse tipo de filme.

Evan: Exato! De volta às raízes. 

Ouça ao podcast em inglês aqui.