Fonte: Interview Magazine

Nosso impulso inicial √© come√ßar este artigo com um aviso de spoiler, mas como todos os seres sencientes est√£o assistindo¬†Mare of Easttown, proceda de acordo. Ao longo do √ļltimo m√™s e mudan√ßas, o drama policial da HBO monopolizou grande parte da internet, com especula√ß√Ķes sem f√īlego sobre seu mist√©rio central (Quem matou Erin McMenamin?!?!) E um fasc√≠nio com seus sotaques Delco que culminou¬†em uma¬†¬†sketch do¬†SNL. Uma parte do apelo do programa tamb√©m pode ser atribu√≠da a Evan Peters, o ator de 34 anos que interpretou o detetive Colin Zabel como um cachorrinho com um distintivo, servindo como o contraponto perfeito para o personagem-t√≠tulo do programa, Mare Sheehan, interpretado por Kate Winslet. Mas assim que os f√£s estavam come√ßando a torcer pelo detetive Zabel, Peters, que estava acabando de sair de sua apari√ß√£o em WandaVision no inverno passado, mais uma vez se viu no centro de uma reviravolta chocante que deixou os telespectadores atordoados. Foi muito para processar, at√© mesmo para ele, ent√£o Peters pulou para o telefone com sua ex-colega¬†de American Horror Story, Billie Lourd, para discutir como tem sido superar as expectativas, como ele se preparou para uma cena de b√™bado instantaneamente ic√īnica e a arte de morrer na tela.

‚ÄĒ‚ÄĒ‚ÄĒ

BILLIE LOURD: Deixe-me definir o cen√°rio para voc√™: estou sentada do lado de fora da minha casa em meu carro nunca lavado, porque esse √© o √ļnico lugar silencioso em minha casa e nem mesmo √© em minha casa. Eu tenho uma bomba para tira leite sem fio comigo, ent√£o se voc√™ ouvir um som estranho, √© isso.

PETERS: Estou no meu quarto, atualmente no meu pijama. Eu trabalhei em uma filmagem noturna ontem à noite e estou fazendo uma filmagem noturna novamente esta noite. Então, estou bebendo café e tentando acordar para voltar.

LOURD: Eu sei como isso funciona. Minhas mãos estão em minhas têmporas por você. Ok, Ev, estou obcecada em Mare de Easttown. Não assisto a nenhum programa porque, se algum dia tenho tempo livre, geralmente é gasto cochilando ou apenas deitado em uma sala silenciosa. Mas falhei em todos os meus momentos de cochilo assistindo a essa série. Você é um gênio do c******.

PETERS: Obrigado, Billie. Eu agradeço muito.

LOURD: Me conte a história de como tudo aconteceu.

PETERS: Eles me enviaram o roteiro e dizia que Kate Winslet seria a protagonista e que era um drama policial da HBO. Então eu pensei, cara, eu realmente tenho que trabalhar nisso. Eu fiz a coisa da auto-gravação, então foi super estranho e estranho.

LOURD: Foi uma auto-gravação? Uau.

PETERS: Sim, eu mandei isso, e ent√£o o diretor, o roteirista e o showrunner disseram: “Voc√™ quer almo√ßar?” E eu disse: ‚ÄúEles v√£o me dizer para refazer a fita, eu sei disso‚ÄĚ. E ent√£o eles me ofereceram o papel, felizmente.

LOURD: √Č quando voc√™ sabe que √© um ator realmente bom, √© quando voc√™ consegue um papel de uma auto-grava√ß√£o. Eu nunca fiz isso.

PETERS: Ah, qual √©, voc√™ √© uma √≥tima atriz. Voc√™ pode fazer aquela coisa de uma √ļnica l√°grima.

LOURD: Eu tenho uma √ļnica l√°grima!

PETERS: Isso é incrivelmente difícil de fazer.

LOURD: S√≥ quando h√° uma promessa de salsicha no Krafty √© que vou fazer uma √ļnica l√°grima. Qual foi a cena que voc√™ teve que gravar?

PETERS: As cenas iniciais, em que eu entro e encontro Mare e ela simplesmente n√£o me quer l√°.

LOURD: Eu ia dizer, se você tivesse que fazer aquela cena de bêbado, ou a cena do colapso, isso seria um pesadelo. Você sabia que ia morrer? Como você se sentiu? Agora sou terapeuta.

PETERS: Foi um pouco estressante tentar lidar com isso. Voc√™ tem um tempo finito para inserir todas essas coisas. Porque voc√™ sabe como vai ser e quer que tenha um arco interessante, mas… pobre Zabes.

LOURD: Cara, foi devastador pra c******. Zabel √© t√£o fofo e voc√™ fica tipo, “N√£o, ele estava em uma ascens√£o t√£o f*****!” Voc√™ levou um tiro na cabe√ßa algumas vezes agora, o que √© muito raro para um ator.

PETERS: Sim, ele tem que trabalhar naquela sacada r√°pida. Mas foi uma cena legal de filmar. N√≥s meio que estendemos o tempo e foi como¬†O Bom, o Mau e o Feio, onde era um olhar fixo e voc√™ fica tipo, ‚ÄúDeus, parece muito tempo para ficar encarando as pessoas‚ÄĚ. Mas Craig, o diretor, disse: ‚ÄúVamos editar. Vai ficar bom.‚ÄĚ E hoje em dia, tudo √© CGI, ent√£o no passado eles provavelmente teriam usado espa√ßos em branco para ajudar com isso, mas foi apenas um clique. Ou o outro ator dizendo: “Bang!” e de repente voc√™ teria que levar um tiro na cabe√ßa. E voc√™ fica tipo, ‚ÄúN√≥s somos o qu√™? Crian√ßas de 12 anos, brincamos com armas?‚ÄĚ Foi uma cena incr√≠vel que eles constru√≠ram. Eles encontraram essa propriedade que parecia um bar abandonado, com uma casa nos fundos. E ent√£o o pessoal do cen√°rio veio e fez aquela casa incr√≠vel, assustadora, desarrumada e bagun√ßada que era. Ent√£o foi muito legal estar l√° e se sentir tipo ‚ÄúMeu Deus, pegamos o cara‚ÄĚ.

LOURD: √Č incr√≠vel ver voc√™ juntar as pe√ßas, olhar um para o outro e ouvir o barulho do cano. √Č t√£o cheio de suspense. Precisamos falar sobre Kate. Posso cham√°-la de Kate? Devo cham√°-la de Kate Winslet? Ela √© m√°gica pra c******. Como foi trabalhar com ela?

PETERS: Eu estava muito apavorado, nervoso e estressado antes de conhec√™-la. Eu sou um grande f√£ e ela √© uma das melhores atrizes de todos os tempos. Mas ela era t√£o calorosa e p√© no ch√£o e se exp√Ķe. O que √© realmente legal √© que ela √© muito colaborativa. Achei que ela fosse dizer: ‚ÄúN√£o, estou certa. Voc√™ est√° errado.‚ÄĚ Voc√™ sabe, porque ela √© brilhante. Mas ela estava muito aberta a novas ideias e explorando coisas. Achei isso muito reconfortante e surpreendente, j√° que ela √© de um alto calibre.

LOURD: Isso é tão legal de ouvir. Eu sinto que o sonho de todo ator é trabalhar com ela. Você manteve seu sotaque o tempo todo? Sempre me pergunto isso quando as pessoas fazem sotaques.

PETERS: Eu estive nele o tempo todo. N√£o sou bom o suficiente como ator para ser capaz de entrar e sair disso. Algu√©m no set disse que existem n√≠veis diferentes. H√° o aprendizado, h√° o ‚ÄúEu tenho que permanecer nisso‚ÄĚ e, ent√£o, ‚ÄúEu sou t√£o bom que posso entrar e sair disso‚ÄĚ. Kate era isso. Ela foi incrivelmente inglesa durante todo o processo. Tipo [com sotaque brit√Ęnico], ‚ÄúOh, oi, Zabes. Como voc√™ est√°, baby? Voc√™ est√° bem? Tudo bom? Certo, √≥timo. E ent√£o ela falava [com sotaque da Filad√©lfia], ‚ÄúVamos pegar um hoagie. Vamos descer at√© a costa e dar uma olhada na loja.‚ÄĚ Eu estava tipo, oh meu Deus. Como se faz isso?

LOURD: Isso é tão alucinante. Eu não acho que eu conseguiria fazer isso.

PETERS: Não, eu não conseguiria fazer isso. Ela é realmente impressionante assim.

LOURD: Qual foi sua cena favorita para fazer com Kate? Eu tenho que parar de cham√°-la assim. Lady Winslet?

PETERS: Havia tantas. A cena do bar foi incrível porque foi tão improvisada.

LOURD: Oh, é mesmo?

PETERS: Sim, foi divertido estar em um bar com Lady Winslet.

LOURD: Esse é o meu sonho.

PETERS: Mas teve outra cena que eu tamb√©m gostei muito: quando eu entrei no carro e eu estou tipo: ‚ÄúEi, vamos no mesmo carro?‚ÄĚ E ela fica tipo, “Ugh, esse cara de merda.” E ent√£o eu entro no carro e ela pisa no acelerador e eu quase bato minha cabe√ßa. Achei que foi muito divertido porque foi uma das primeiras cenas que filmamos, e deu o tom para o quanto Mare estava aborrecida com a presen√ßa de Zabel.

LOURD: Como você fez a cena do bar? Você tem permissão para ficar bêbado?

PETERS: Não, você não pode ficar bêbado, infelizmente. Mas eu diria que fiz uma tonelada de pesquisas ao longo dos anos. Você sabe, em algumas de suas festas de aniversário.

LOURD: Você prefere fazer uma cena de morte ou uma cena de assassinato?

PETERS: Oh, essa é uma pergunta difícil. Realmente depende de como você está matando ou morrendo. Morrer é um grande desafio, como ator.

LOURD: N√£o gosto de morrer.

PETERS: √Č t√£o dif√≠cil. √Č tipo, como voc√™ faz isso? E isso parece veross√≠mil? Eles conseguem me ver respirando? Realmente depende de como voc√™ est√° sendo morto tamb√©m. H√° tantas perguntas e muitos se.

LOURD: Me matar em¬†American Horror Story¬†foi muito engra√ßado. Espero que eles coloquem entre par√™nteses: “Ela disse sarcasticamente”.

PETERS: Sim, foi um dia horrível.

LOURD: Essa foi difícil. Eu assisti de novo e posso definitivamente me ver respirando. E os olhos são tão duros, gosto de realmente manter os olhos abertos. Sinto que tomei a decisão de fechar os olhos. Você faz as mortes com os olhos abertos ou fechados?

PETERS: Eu gosto de fazer um pouco meio a meio – um pouco aberto, um pouco fechado.

LOURD: Eu gosto. Agora desembucha. Você esteve nas ruas desde que Zabel morreu? As pessoas se aproximam e te abraçam e agradecem a Deus por você estar realmente vivo?

PETERS: N√£o. Recebi algumas mensagens de texto como: ‚ÄúDesculpe, cara. Voc√™ tem que trabalhar nessa sacada r√°pida.‚ÄĚ Estou super feliz que as pessoas gostem da s√©rie.

LOURD: √Č um daqueles programas que agora faz parte do zeitgeist. At√© meu beb√™ adora. Quanto tempo demorou para gravar?

PETERS: Puxa, come√ßamos em outubro de 2019 e, em seguida, deveria ter terminado no in√≠cio de mar√ßo de 2020. Eu tinha cerca de duas ou tr√™s semanas restantes. Ent√£o a pandemia veio e eles a prorrogaram at√© setembro. Eu estava tipo, “Oh cara, eu tenho que continuar aprendendo esse sotaque por seis meses.”

LOURD: E não comer tudo que tinha à vista. Você teve que manter aquele sotaque e manter aquele corpo.

PETERS: Sim, foi um desafio.

LOURD: O que você acha que teria acontecido com Mare e Zabel, se Zabel não morresse? Nos faz realmente pensar.

PETERS: Ooh, realmente nos faz pensar. Eu acho que eles teriam ido a mais alguns encontros e ent√£o Mare provavelmente teria percebido que Zabel n√£o era o cara. Zabel teria ficado arrasado novamente.

LOURD: Eu acho que eles poderiam ter tido um casamento não programado em Las Vegas e viver felizes para sempre. Poderia ter sido ótimo.

PETERS: Eu gosto disso para Zabel. Boa ideia.

LOURD: Você acha que teria se mudado para Easttown ou ele teria voltado?

PETERS: Acho que ele definitivamente teria que se mudar da casa de sua m√£e. Com certeza esse seria o primeiro passo.

LOURD: Você ficou triste quando ele morreu ou achou que esse foi o final perfeito para ele?

PETERS: Achei um final interessante para o personagem. Ele meio que entrou, e então foi tão chocante, mas é assim que a morte é na vida real. Você nunca está realmente esperando por isso e então acontece.

LOURD: √Č incr√≠vel voc√™ conhecer todo o arco do personagem antes de interpret√°-lo.

PETERS: Sim, √© raro obter todos os epis√≥dios de antem√£o. Voc√™ faz uma escolha no epis√≥dio dois e, em seguida, chega ao epis√≥dio sete e fica tipo, ‚ÄúOh, espere, isso foi totalmente errado, o que eu fiz no epis√≥dio dois… Podemos voltar e refazer isso?‚ÄĚ E eles dizem, ‚ÄúN√£o‚ÄĚ.

LOURD: Saber o final afetou como você o interpretou? Ele era tão adorável de qualquer maneira, mas saber que ele ia morrer fazia você interpretá-lo ainda mais adorável, se é que essa é uma palavra?

PETERS: Sim, isso contribuiu para isso. Falou-se sobre torná-lo um pouco mais arrogante e convencido. Mas pensei que, quando ele morresse, seria mais trágico se ele não fosse isso. Então, tentamos torná-lo um pouco desajeitado e um detetive não tão bom que está realmente tentando. Queríamos que fosse o mais chocante e triste que pudéssemos.

LOURD: Voc√™ fez alguma coisa de ator? Tipo, uma col√īnia que voc√™ usou? Ou voc√™ usou um chap√©u especial?

PETERS: Isso é tão engraçado. Eu gostaria de usar um chapéu especial para trabalhar todos os dias, como um chapéu de detetive old school dos anos 1940. Sempre estava com minha caneca de café. Tinha meio que uma espécie de caneca do Zabel. E havia rituais. Eu escrevia de manhã e tentava me aprofundar, coisas assim. Mas, meu Deus, gostaria de usar um chapéu.

LOURD: Devemos incorporar isso em nossos futuros papéis, para ter certeza de que temos um chapéu para cada função que desempenhamos. E então você poderia ter uma caixa em sua casa com todos os chapéus que usava.

PETERS: Isso é tão engraçado.

LOURD: As pessoas v√£o ficar tipo, ‚ÄúBillie Lourd √© uma psicopata‚ÄĚ.

PETERS: Oh, você sabe o que eu fiz? Eu usei uma cruz. Você pode não ver, mas quando ele morreu, eu queria que você visse a cruz em seu pescoço. Ele tem essa coisa estranha com a religião onde ele foi criado religioso, mas então estando na linha de trabalho em que ele está e vendo toda essa morte e horror, você começa a questionar isso. E então sua mãe é muito religiosa. Então eu queria que ele fosse, por baixo de tudo, um pouco religioso e esperançoso e precisando da proteção de Deus quando ele fosse para o campo.

LOURD: Isso é muito melhor do que um chapéu.